sexta-feira, dezembro 10, 2004

Uma vida, uma arte!

As paredes gastas e bolorentas do meu quarto, expulsam de si as mágoas e revoltas de uma vida injusta que carece ser pincelada por quadros coloridos.


As paredes gastas e bolorentas do meu quarto, expulsam do seu interior as mágoas e revoltas de uma vida injusta, que carece ser pincelada por quadros coloridos.
A vida é uma arte que esconde dentro de si rios de tinta que jorram uma revolta silenciosa e que disfarça por entre garatujas, traços profundos da triste realidade.
Os quadros gritam, ninguém os ouve!
As tintas acabam, ninguém as quer!
…a alma chora, ninguém a vê!
Mas que arte é esta que ninguém entende?
Nada nesta vida foi feito para se entender mas tudo foi feito para se duvidar.
Porém, a arte muitas vezes não se entende…mas quase sempre se duvida.
Um artista define-se pela maneira subtil com que elabora a sua obra e convence toda a gente que um pedaço de papel embebido em boiões de tinta gordurosos, enquadra-se num conjunto de obras que regalam a visão do mais crítico de todos os críticos.
Acordamos para uma sociedade deformada pela arte!
São quadros abstractos, muitas vezes incolores de almas ansiosas por descobrir quais as cores da vida! Predominantemente surge o preto, no seu estilo perturbador mas persistente! Não conseguimos lutar contra tamanha força, pois não fazemos outra coisa senão alimentá-la.
O Homem destrói, inveja, maltrata, engana, magoa, persegue, insiste, desiste…junta depois uma colher de ódio e mistura muito bem com o egoísmo e produzem-se seres vivos pintados de negro, com almas enferrujadas e valores queimados! O branco dilui-se no meio de tanta escuridão. Trepa as entranhas do Eu e mistura-se com o preto…e tudo volta ao início…existirá sempre apenas uma cor no espectro da vida! Qual?
Este ciclo vicioso reflecte-se na nossa essência, altera o nosso espírito, ressuscita o nosso desgosto mas faz-nos acreditar que os sonhos existem…
Só que nesta paleta, a tinta cor-de-rosa acabou…
E na tua?

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