Outrora, rabiscava os meus silêncios na última folha do caderno de apontamentos de uma aula que teimava em não passar. Só a ânsia do toque de saída perturbava o silêncio que ecoava na alma. Ouvia vozes ao fundo da sala, canetas no chão a pingar, livros que se abriam com o vento e um vulto deambulante que não parava de gesticular! Nada era capaz de parar a dormência da minha mão... era incansável e resistente à desordem que escorria naquelas pálidas paredes.
Agora, revejo-me diante deste teclado frio, com botões uniformes e letras dispersas a escrever os meus silêncios. As letras correm felizes nas folhas despidas enquanto os meus olhos fraquejam perante tamanha rapidez!
O vício e a dormência continuam juntos a rasgar os gritos mudos que me sufocam...não interessa se não têm sentido, não importa se passam despercebidos...para mim basta apenas que eu consiga rasgá-los!

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